quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Maritaca

Alguns dias atrás, por alguma razão, uma maritaca caiu num buraco de terra e não conseguia mais voar. Não sei por quanto tempo ela ficou ali, até que eu a descobrisse. Estava exausta, a pobrezinha. O buraco era fundo e estreito: aquele corte que se faz na terra quando se ergue os alicerces de um muro. Sim, o homem mais uma vez interferindo. Tratava-se de uma construção. Ela provavelmente deve ter colidido com alguma armação e caído. Sem hesitar, meti-me dentro do buraco e a peguei.


Estava bem, apesar de alguns arranhões. Mas muito assustada para voar. Aqueles olhinhos alaranjados me olhavam assustados, como a me perguntar "Oh, humano, farás mal a mim?". Levei-a para casa de minha mãe e a instalamos num canto da casa, sobre um pano. Peguei algumas sementes de girassol para que ela comesse e ela comeu, para a nossa alegria. Devia estar caída no buraco há bastante tempo. Vi que ela estava com sede, pois o bico permanecia aberto e a linguinha estava sempre para fora. Não quis beber a água que eu coloquei num daqueles potinhos próprio para aves. Então, molhei meu dedo n'água e coloquei na linguinha dela, umedecendo-a. Ela parece que entendeu, pois não me mordeu. Deixou que eu fizesse o trabalho até ficar satisfeita. No outro dia, ao raiar do Sol, minha mãe abriu a janela. O bando de maritacas alçou voo da mangueira do quintal e nossa convidada bateu asas e foi embora. Ficamos muito felizes por ela!




Ver, observar, cuidar desses animais é a minha satisfação. Amo todos os pássaros! Costumo chamá-los de crianças do céu, os pequenos de Zéfiro (o vento ameno), filhos da Aurora. Não saberia viver em um mundo carente da poesia de seu canto. Fico pensando, aqui. É incrível como as coisas dão certo quando colocamos em nossas ações uma intenção de desprendimento e amor. Ela poderia ter se recusado a cooperar com a ajuda que nós, humanos desastrados, estávamos tentando oferecer. Poderia ter bicado (e aqueles que já cuidaram de psitacídeos sabem o quanto dói uma bicada bem dada rs e o quanto são arredios). Mas de algum modo ela sentiu, ou entendeu, que não queríamos lhe fazer mal e se acalmou. Sempre me surpreendi com a percepção dos animais, que não necessitam da razão para entender as coisas.  Voe alto, pequena, e que os bons ventos a acompanhem em sua jornada! 


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