terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cultivar a Alegria

Olá, amigos!


Há muito que não piso nesse gramado tão verde e ouço o soprar alegre do vento! Hoje venho para jogar um pouquinho de sabedoria no ar, como a alimentar passarinhos, colhida por mim num feliz acaso enquanto folheava o velho livro formador da tradição ocidental, a Bíblia. Não sou muito chegado em lê-la, sou mesmo um estrangeiro naquelas páginas de seda, mas longe de mim fermentar preconceitos. Até os mais modernos precisam recorrer aos antigos, às vezes. Sou um espiritualista e considero que todo deus tem sua mensagem a ensinar. A mensagem neste caso é bonita e válida, como muito do que ali se encontra. O Eclesiástico e o Livro da Sabedoria têm sido uma descoberta muito saborosa para minha alma inquieta, nesses tempos de crise. E os versos ali contidos se mostraram como se proferidos por um velho pai ou mestre ancião, a aconselhar os aprendizes da vida. Fui tão profundamente tocado pelas doces palavras arcaicas que senti vontade de publicá-las aqui, e dividir a ternura nelas encerrada. O poema se encontra em Eclesiástico 30:31, e aí vai:

Cultivar a Alegria

 Não entregues tua alma à tristeza,
não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos.

 A alegria do coração é a vida do homem,
e um inesgotável tesouro de santidade.
A alegria do homem torna mais longa a sua vida.

 Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme;
concentra teu coração na santidade;
e afasta a tristeza para longe de ti;

pois a tristeza matou a muitos 
e não há nela utilidade alguma.

A inveja e a ira abreviam os dias,
e a inquietação acarreta a velhice antes do tempo.
Um coração bondoso banqueteia-se continuamente,
pois seus banquetes são preparados com solicitude.

À guisa de curiosidade, o Eclesiástico, o Livro dos Provérbios, o da Sabedoria  e possivelmente alguns outros se inserem em uma tradição poética muito antiga chamada de didático-sapiencial, justamente pelo caráter de aconselhamento que possuem. É uma tradição presente em todo Oriente Próximo e no mundo Indo-Europeu antigo. A esses livros se inserem, por exemplo, Os Trabalhos e os Dias, do poeta grego Hesíodo (700 a.C) e alguns poetas elegíacos como Teogris (VI a.C) e Focílides (V a.C). Na Suméria, em 2500 a.C, temos As Instruções de Suruppak, de mesmo caráter. 



Vivamos alegres! Com amor, dedicação e firmeza até nas tarefas mais banais de nosso dia. Que cada ato seja harmonioso com nosso Deus Interior e com o Universo. A vida pode ser dura, às vezes, mas o sol sempre brilha e os pássaros sempre cantam. Cantemos e brilhemos juntos no caminho, por que não? 

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